Os cosméticos e o bem-estar

Os cosméticos e o bem-estar

Com ou sem crise, o mercado brasileiro de cosméticos não para de aumentar. Atualmente, temos o terceiro maior mercado global de beleza do mundo, ficando apenas atrás dos Estados Unidos e da China, e algumas pesquisas mostram que o brasileiro gasta aproximadamente 2% de suas rendas com produtos desse setor. Antes que você comece a pensar que meu objetivo aqui é outro, vamos direto ao ponto deste post: o uso de produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos vai muito além da beleza física, ou mesmo dos cuidados com a higiene. Os cosméticos estão intimamente relacionados ao nosso bem-estar. Com uma ajudinha da neurociência vou explicar essa relação um pouco melhor para você.

Os produtos de higiene e beleza pessoal costumam apresentar uma grande variedade de aromas, e nós, seres humanos, somos extremamente sensíveis a odores. Isso acontece porque os aromas são capazes de ativar diversas regiões cerebrais, trazendo à tona muitas memórias e sensações. E convenhamos, memórias e emoções fortes são as queridinhas quando o assunto é a criação de experiências.

Toda essa carga emocional associada a percepção dos cheiros acaba alterando não só o nosso comportamento, mas também alguns aspectos fisiológicos, como a frequência dos batimentos cardíacos e a sudorese na palma de nossas mãos, cuja importância para o marketing você pode entender melhor nos posts “Emoções na palma da mão: como entender os desejos dos consumidores“, “Quer saber o que o seu consumidor está sentindo? Ouça seu coração!” e também no “8 técnicas para entender a mente do consumidor“.

Os cosméticos e o bem-estar

Em função dessas alterações, os julgamentos, a tomada de decisão e o comportamento das pessoas, de modo geral, podem ser moldados pelas percepções dos odores, que podem, por exemplo, causar uma diminuição da nossa frequência cardíaca, que vem acompanhada por uma sensação de bem-estar. E o mais incrível dessa história é que essas alterações acontecem sem que a gente se dê conta de o que está nos influenciando. Na verdade, muitas vezes os odores que alteram o nosso comportamento são tão sutis, que os cheiros sequer são percebidos de forma consciente.

Não só os aromas dos cosméticos acabam influenciando o nosso comportamento, mas também sua textura, temperatura e as suas cores. Um estudo realizado na França demonstrou que colorações de batom podem alterar as respostas fisiológicas do consumidor. Batons com tons de cores agradáveis (sim, eu sei que cor agradável é um ponto subjetivo) podem alterar tanto a frequência cardíaca quanto a sudorese da palma da mão, respostas que indicam o nível de intensidade emocional, estresse e bem-estar, em resposta a um estímulo.

A pele também é um importante órgão sensitivo. Assim, quando submetemos uma pessoa a testes com Eletromiografia Facial (EMGf), (relembrando: EMGf é uma técnica que monitora a atividade dos músculos da face do consumidor, assim, de maneira muito precisa, podemos saber se ele está ou não gostando de algo), percebemos que uma textura aveludada sobre a pele acaba criando emoções agradáveis.

Os cosméticos e o bem-estar

Desta maneira, aquele creme que nós usamos após o banho tem um papel muito mais importante que apenas hidratar a nossa pele, ele nos provoca sensações de bem-estar e, provavelmente, nos ajuda a enfrentar o dia-a-dia um pouquinho mais felizes. E você, sabe de mais algum artifício que pode contribuir para o nosso bem-estar? Então conta para gente!

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